terça-feira, 14 de julho de 2015

Cinderela

Cinderela é uma menina
dos sapatos de cristal
Seus calçados na sua vida
eram uma coisa vital
Meio magra, um pouco fútil
e muito temperamental
Encostar nos seus sapatos
poderia ser mortal

Cada dia é um par novo
pra menina cinderela
Cabem mais de cem sapatos
só na sapateira dela
Quando chegam suas amigas
logo viram uma plateia
Mostra todos seus sapatos
nos seus pés de centopéia

Havaiana, sapatilha,
salto alto de sparpin
Azaléia, apalgarta,
anabela e mocassim
Rasteirinha, cano alto
e sapato plataforma
A menina é compulsiva
e com pouco não se conforma


Não quero bancar o chato
Sei que assim você está bem
Mas pra que tanto sapato
Se nem tanto pé tu tem?

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Poema da Vida

Os dois pares de chinélos que ganhei de presente
Eram identicos, mas de número diferente
Por algum motivo mais do que estranho
Não consigo calçar os dois do mesmo tamanho

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Minha vida é uma pestana

Um bandolim fala enquanto no fundo passam imagens do programa anterior
- No episódio anterior de ‘Minha vida é uma pestana’, Viola saiu com suas amigas e acabou se enroscando com um Cavaco, para seu azar, seu noivo Baixo Elétrico havia a seguido até a festa e a pegou no flagra trocando palhetadas, ele termina o noivado e a expulsa de casa, Vamos ver como continuou a história.
5:05 – Rodapé: Casa do Baixo Elétrico – 8º dia depois da festa
Viola sai da cama e vai para o banheiro.
5:33 –
Viola sai do banheiro dá alguns passos, dá meia volta e entra no banheiro.
7:00 –
Viola sai da cama gemendo e vai para o banheiro.
9:15 - Viola no quarto
Viola (para a câmera) - Eu to passando mal, indo de cinco em cinco minutos no banheiro, to enjoada, com dor de cabeça, e esse ‘noivo’ nem pra me levar no hospital. Além de tudo fica perguntando quando vou voltar pra casa da meu pai, vou ver se a Gui pode me levar pro médico.
Baixo Elétrico na cozinha
Baixo (para a câmera) - Eu dei uma semana pra ela tirar as coisas de casa, mas ai começou com essa crise de enjôo, as vezes parece até uma desculpa pra não sair, to sendo muito bonzinho, já deveria ter mandado ela embora, depois do que ela fez comigo, eu to sendo caridoso.
13:52 – rodapé: Hospital dos Acordes
Viola está sentada na cama do consultório e a Guitarra ao seu lado
Dr. Banjo – Olha Viola, depois desses exames, só tenho uma suspeita, acho que está grávida.
(silêncio)
Viola – Mas... (silêncio)
Dr. Banjo - Se quiser podemos fazer os testes para confirmar aqui mesmo.
Viola olha para Guitarra e encosta em seu ‘ombro’.
14:40 – rodapé: Fora do hospital
Viola (para a câmera) – O médico confirmou, estou grávida, nem sei como eu vou contar isso pro meu pai... (silêncio) nem sei como encontrar o pai dessa criança (chora).
Guitarra (para a câmera) – A vida é assim mesmo, as vezes achamos que estamos em um sustenido, quando vamos ver estamos em um bemol.
17:55 – rodapé: Casa do Baixo Elétrico (Lado de fora)
Viola recolhendo do chão uma capa e algumas partituras. Guitarra anda de um lado para o outro gritando palavrões.
Viola 'na Calçada' (para a câmera) – Ele colocou minhas coisas na capa e deixou essa carta dizendo que meu prazo acabou – (ao fundo Guitarra solta um palavrão) – Calma Gui... bom, pelo menos não precisei contar pra ele, agora vou ter que dormir na casa do meu pai – (Guitarra – Seu tarraxa frouxa).
19:43 – rodapé: Casa do Pai
Na porta de entrada viola toca a campainha, um contra-baixo abre a porta.
Sr. Rabecão - Olá Vi
Viola - Olá Pai. (silêncio) Eu...
Sr. Rabecão – Já arrumei seu quarto, fique a vontade
Viola – Preciso te contar uma coisa antes
8:30 – rodapé: Dia seguinte
Viola entra na cozinha, o pai está na pia
Viola – Bom dia
Sr. Rabecão – O café está na mesa
Viola – Não vai nem olhar pra mim?
Ele se vira e eles se encaram em silêncio
Rodapé: Sr Rabecão ‘pai’
Sentado em uma poltrona com uma foto de um Alaúde na mesinha ao lado
Sr. Rabecão – Eu não sei o que fazer com essa menina, nós demos boa educação, Beethoven, Vivaldi, Chopin, Bach, colocamos ela nos melhores conservatórios, mas depois que a mãe dela morreu (se vira pra foto), ela só quer saber do menino da porteira, é difícil aceitar que sua filha virou uma caipira.
Viola – Eu sou caipira mesmo, meu pai nunca aceitou isso, ele não sabe diferenciar as coisas, pra ele é tudo a mesma coisa, Tonico e Tinoco, Sergio Reis, Milionário e José Rico, é tudo ‘menino da porteira’, eu falo ‘é diferente’, ele responde ‘é tudo a igual’, ele queria que eu fosse igual minha mãe, mas eu não tenho dom pra essas coisas não, (silêncio), espero que o pai dessa criança seja mais compreensivo.
Rodapé: A produção foi procurar o futuro pai
Cavaco andando na rua é abordado pela produção.
Off – Bom dia senhor Cavaco
Cavaco – Senhor Cavaco é meu pai, eu sou Cavaco Junior (pausa), mas pra você posso ser só cavaquinho, que Violão em querida
Off – Foi você que ficou com a Viola na batucada de sexta?
Cavaco – Isso ai deu o maior rolo, era por causa de vocês que ela tentou se esconder tanto pra dar umas palhetadas, no fim fomos pegos pelo ‘baixinho’.
Off – Ela está grávida
(silêncio)
14:20 – rodapé: 3º dia na casa do pai
A campainha toca, alguém bate desesperadamente na porta. Viola abre
Guitarra – Vi, o Baixo descobriu tudo e foi atrás do cavaquinho, o coitado foi parar no hospital
15:10 – rodapé: Hospital doa Acordes
Dr. Banjo (para a câmera) – ele chegou aqui com alguns arranhões, o braço estava deslocado e rompeu o ligamento da 3ª corda, colocamos o braço no lugar, mas a corda não teve jeito, ele vai precisar de um transplante
15:51 –
Viola – Eu posso doar uma das minhas pra ele?
Dr. Banjo – São poucas as chances de serem compatíveis e no estado que você se encontra é melhor não
Cavaco – Então é verdade?
(silêncio)
9:43 – rodapé: 1 mês depois do acidente
Viola (para a câmera) - Estamos nos dando muito bem, ele vai sair hoje do hospital e vamos lá vê-lo, ficamos pensando em nomes pro bebê, mas estamos indecisos ainda, falta tão pouquinho
16:10 – rodapé: Hospital dos Acordes
Cavaco na cadeira de rodas, Viola e Guitarra entram no quarto
Guitarra – Já ta pronto?
Cavaco – Eu nasci pronto... que foi Vi?
Viola – Acho que vai nascer
Cavaco – Agora? Chamem um MÉDICO!
Guitarra – Vou ligar pra todo mundo avisando
Cavaco – Respira fundo, MÉDICO!
21:25 – rodapé: Corredor da sala de cirurgia
Cavaco – Será que ta tudo bem? Faz tanto tempo que ela entrou
Guitarra – Já já saberemos
Cavaco - Eu nunca pensei que seria pai (chora)
Guitarra – Ah, não chora cavaco, vai dar tudo certo
Entra Dr. Banjo no corredor
Dr. Banjo – Meus parabéns, é um menino
Cavaco – deu tudo certo?
Dr. Banjo – Sim, sem nenhum problema
Cavaco cai em prantos de felicidade
Guitarra – Chora Cavaco
7:00 – rodapé: Dia seguinte
Quarto do hospital, Viola, Cavaco, Sr Rabecão, Guitarra e amigos de Viola
A porta do quarto se abre e a enfermeira entra com um instrumento pequeno
Guitarra – Que lindinho, qual o nome dele?
Cavaco – Ukulele
Sr. Rabecão – Isso é nome filha?
Guitarra – ele tem a boca da mãe
Sr. Rabecão – Mas as cordas parecem do pai
Cavaco – Espera ai, eu sou amarelo, você é Castanho, por que é que ele nasceu marrom?
Violino vai saindo de fininho do quarto
Bandolim – Pois é gente, se querem saber o que acontece depois, assistam o próximo episódio de ‘Minha vida é uma pestana’.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Diário

Resolvi postar aqui minhas idéias que futuramente virarão cenas. Esse é apenas um esboço do que ainda pretendo fazer com esse texto...


Diário de guerra


25 de Fevereiro
Hoje o dia amanheceu nublado, e logo em seguida começou a chover, nós recebemos um ataque surpresa, os alemães apareceram como fantasmas, consegui derrubar um deles antes de receber esse maldito tiro no estomago, tive sorte de morrer de barriga pra cima, assim posso ver o dia passar e contar as estrelas, estava entediado e resolvi escrever um pouco.

26 de Fevereiro
Agradeço cada vez mais ter morrido de barriga pra cima, mesmo que o sol incomode um pouco. Hoje arranjamos algo pra fazer, dar forma as nuvens, tava divertido até o Nicolas ficar reclamando que só conseguia ver as raízes da grama na terra. Muitos estão com medo, pois alguns pássaros negros já começaram a voar sobre nós, ficamos apostando quem seria a primeira vitima, e claro que o Nicolas foi o mais votado.

27 de Fevereiro
Hoje mudei minha visão de mundo, tudo por que um maldito corvo comeu meu olho direito, e o pior de tudo, eu não sinto minhas pernas, já o velho Bill esta surdo, na verdade ele sempre foi, mas agora com essa baioneta quebrada no ouvido ele não para de resmungar. Espero que nos encontrem, não quero passar o resto de minha morte na barriga de um corvo.

28 de Fevereiro
Hoje é o pior dia da minha morte, estava viajando em meus pensamentos quando escutei meus companheiros rindo, de repente apareceu um corvo em meu peito, estava mordendo algo, parecia um pedaço de intestino ou algo do gênero, sorte a minha se fosse isso, era bem pior, meu pinto, não sei como esse filho da puta abriu minhas calças, bem que eu estava sentindo um vento vindo do sul, nunca imaginaria tal catástrofe, pior que os outros ficaram me zoando, falando que se formos resgatados, minha mulher não vai me reconhecer.

1 de Março
Parece que nossas preces foram ouvidas, hoje fomos encontrados por uma tropa aliada, fomos empilhados em um caminhão de carga de suprimentos, o ruim foi que o Nelson veio me encoxando a viajem toda. Reclamei, mas disseram que eu estava nervoso por não poder fazer o mesmo, parece que amanha seremos enterrados, e será difícil escrever sem luz, e mesmo que consiga não terei muito para relatar, então, aqui fica meu adeus.

(Cauê Lopes)

domingo, 7 de junho de 2009

Patativa

UMA SEMANA DE PATATIVA


A semana foi ativa,
Minha vida mudou de repente,
Eu descobri em Patativa
Cantado por tanta Gente,
Retratando seu problema,
A beleza do poema
Do sertão do Ceará.
Ouvi a vida sofrida,
Com certeza minha vida
A mesma nunca será!


(Cauê Lopes)




Um jornalista chegou na casa de patativa e pediu uma entrevista, sentou-se pegou o gravador e colocou-o em cima da mesa, ele fez perguntas e Patativa calado, depois de um tempo Patativa chega perto do gravador e diz.


Dor Gravada
Patativa do Assaré

Gravador que estás gravando
Aqui, no nosso ambiente,
Tu gravas a minha voz,
O meu verso, o meu repente.
Mas, gravador, tu não gravas
A dor que meu peito sente!

Tu gravas em tua fita,
Com maior perfeição,
O timbre da minha voz,
A minha fraca expressão!
Mas não gravas a dor grave,
Gravada em meu coração!

Gravador, tu és feliz!
E – ai de mim! – O que será?
Bem pode ter desgravado
O que em sua fita está.
E a dor do meu coração
Jamais se desgravará!

sábado, 6 de junho de 2009

Crônicas

ROLE MIADO


57 minutos andando, suor escorrendo, tênis enlameado, olhares atentos, busca incansável, não achamos! Na volta nos deparamos com um vendedor de churrasquinho, SÓ 1,50 O ESPETINHO? O pingo no “i” do role miado.


NU NA NOITE

Noite escura, calor de um dia de sol e um vento fresco de uma praia ensolarada, não era uma noite normal, dia perfeito para ficar nu.

Rua deserta, nem bicho, nem carro, nem gente. Janelas de pálpebras fechadas, portas de boca lacrada e lâmpadas frias sem vida, minha presença só era guiada pela luz dos postes, dia perfeito para ficar nu.

Sovaco fedido de um dia longo de trabalho, pés doídos do duro sapato, pernas cansadas da carga do corpo, pensamentos na cama macia e no lençol leve e fino, dia perfeito para ficar nu.

E então nu eu fiquei, deixei minhas roupas no meio da rua dobrando as esquinas sem medo, e ao longe vi a única lâmpada com luz da noite, a lâmpada que me esperava em casa, acesa para não errar o buraco da fechadura, e antes de acertar a fechadura escutei: -Boa noite vizinho – e dando uma espiada “lá em baixo” continuou – Noite fria não?


INFÂNCIA, O QUE È ISSO?


Hoje em dia virou moda entre os adolescentes e jovens dizer a uma pessoa que ela não teve infância, “Você nunca assistiu isso? Você nunca brincou disso? Você nunca teve um desse? Que sem infância!”. Até eu já peguei essa mania idiota.

Estava conversando com um garoto da terceira série e perguntei se assistia Castelo Ra-Tim-Bum, Barney, Bob o construtor, ele me olhou sério e disse: -que coisa de criança. Sem entender perguntei o que ele andava vendo de legal na televisão, ele respondeu apenas números “42 24:30”, não entendi o que ele quis me dizer, perguntei de novo e ele respondeu “Canal 42 depois da meia noite e meia”, fiquei em choque, na terceira série eu brincava de lego, assistia Glub-Glub, brincava de esconde-esconde, pulava o muro do terreno baldio para empinar pipa e brincar de espada, MULEQUE, VOCÊ NÃO TEVE INFÂNCIA?

Fico pensando no futuro como serão as conversas das crianças depois do tetê e da naninha - Você nunca assistiu Emmanuelle? Que sem infância!



(3x Caue Lopes)

Sócrates me confunde

Como eu queria ser ignorante. As pessoas ignorantes parecem mais felizes, sem preocupações, sem responsabilidades.

Sócrates disse “Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância”, mas como é ruim quando entendemos certas coisas, principalmente quando se trata de um problema nosso, é difícil conviver sabendo que não é perfeito, pelo menos para mim é. Sócrates ainda diz “Conhece-te a ti mesmo, torna-te consciente de tua ignorância e será sábio”, será que não descobri minhas ignorâncias e me acho sábio de mais e por isso acho tão ruim saber que sou em partes ignorante? Pra piorar minha duvida ele diz “A maneira mais fácil e mais segura de vivermos honradamente, consiste em sermos, na realidade, o que parecemos ser”, mas como posso saber o que pareço ser se nem conheço minha ignorância?

E usando uma frase dele termino “Só sei que nada sei” (isso faz de mim um ignorânte?).

Educação

TUDO influencia na formação do individuo, do ar que ele respira aos conceitos que a sociedade, por meio da escola, o transmite. Vivemos em um ambiente não natural, perdemos o contato com a terra e com a água, perdemos o contato humano e o olhar longínquo, hoje temos paredes que nos limitam dessa visão, vivemos agora em um mundo plano e quadrado das paredes e das televisões, o mundo virou quadrado. Vivemos em um mundo artificial, sorrisos, carinhos e comidas artificiais, vivemos em um mundo que pede que olhemos para o futuro, mas nos limita o olhar com seus enormes prédios, como olhar para o futuro se o mais distante que consigo ver é o muro do meu vizinho? Como olhar para dentro de mim se a televisão me diz o que devo ser? Como dar um sorriso sincero se a felicidade que procuro, e nunca vou ter, é mostrada dentro de uma caixa que emite luz?

domingo, 19 de abril de 2009

Onde pararam as chaves?

Quem eu sou?
Quem eu fui?
Já não tem mais importância
O significado de mim no outro não era aquilo que me era dito
Me achava um zero, mas pensei que era a direita
Eu pensei que era especial
Minha mãe me acha especial
Mas que idiota!
Que tolo se acha especial se tratando de amor?
Eu só esperava um: Não nós vamos superar essa juntos!
Mas não ouvi uma exclamação e sim uma interrogação
Como se resolve algo perguntando?
Parece coisa de médico de hospital publico
Um monte de perguntas e uma medicação
Cansei de medicar
Não sou médico, também sou paciente!
E paciente eu fui
Dizem que paciência tem limite, mas esse não foi o caso
O caso foi que me cobraram o aluguel de uma casa sem portas
Odeio ser cobrado
Acho que por isso evito os ônibus
Sai de casa, mas deixei meus pertences lá dentro
Tudo de valor de mim ficou lá
E lá vai ficar!
Não vou mais voltar
Não quero pedir licença ao próximo morador
Não queria outra pessoa morando lá
Mas fui eu que desisti, eu larguei minha casa
Fui eu? Só eu?
Por que eu me mudei?
Por que eu sai?
Sai porque não tinha porta
Sai porque não tinha chave
Sai porque não tinha vida.

Caue Lopes

terça-feira, 14 de abril de 2009

Esquecimento

Esqueci o que é tristeza
Esqueci o que é ser amado
Esqueci da felicidade
E de ficar embriagado

Esqueci de tantas coisas
Das que aprendi na minha escola
Esqueci dos professores
E dos meus amigos de cola

Esqueci dos meus trabalhos
Esqueci do meu sucesso
Esqueci da minha ida
E não lembro do regresso

Esqueci meu coração
Esqueci a minha mente
Em um lugar tão escuro
Esqueci que ainda sou gente

Cauê Lopes


Poeminha meu para vocês. Como um amigo disse "Sessão Deprê".