quarta-feira, 31 de março de 2010

Diário

Resolvi postar aqui minhas idéias que futuramente virarão cenas. Esse é apenas um esboço do que ainda pretendo fazer com esse texto...


Diário de guerra


25 de Fevereiro
Hoje o dia amanheceu nublado, e logo em seguida começou a chover, nós recebemos um ataque surpresa, os alemães apareceram como fantasmas, consegui derrubar um deles antes de receber esse maldito tiro no estomago, tive sorte de morrer de barriga pra cima, assim posso ver o dia passar e contar as estrelas, estava entediado e resolvi escrever um pouco.

26 de Fevereiro
Agradeço cada vez mais ter morrido de barriga pra cima, mesmo que o sol incomode um pouco. Hoje arranjamos algo pra fazer, dar forma as nuvens, tava divertido até o Nicolas ficar reclamando que só conseguia ver as raízes da grama na terra. Muitos estão com medo, pois alguns pássaros negros já começaram a voar sobre nós, ficamos apostando quem seria a primeira vitima, e claro que o Nicolas foi o mais votado.

27 de Fevereiro
Hoje mudei minha visão de mundo, tudo por que um maldito corvo comeu meu olho direito, e o pior de tudo, eu não sinto minhas pernas, já o velho Bill esta surdo, na verdade ele sempre foi, mas agora com essa baioneta quebrada no ouvido ele não para de resmungar. Espero que nos encontrem, não quero passar o resto de minha morte na barriga de um corvo.

28 de Fevereiro
Hoje é o pior dia da minha morte, estava viajando em meus pensamentos quando escutei meus companheiros rindo, de repente apareceu um corvo em meu peito, estava mordendo algo, parecia um pedaço de intestino ou algo do gênero, sorte a minha se fosse isso, era bem pior, meu pinto, não sei como esse filho da puta abriu minhas calças, bem que eu estava sentindo um vento vindo do sul, nunca imaginaria tal catástrofe, pior que os outros ficaram me zoando, falando que se formos resgatados, minha mulher não vai me reconhecer.

1 de Março
Parece que nossas preces foram ouvidas, hoje fomos encontrados por uma tropa aliada, fomos empilhados em um caminhão de carga de suprimentos, o ruim foi que o Nelson veio me encoxando a viajem toda. Reclamei, mas disseram que eu estava nervoso por não poder fazer o mesmo, parece que amanha seremos enterrados, e será difícil escrever sem luz, e mesmo que consiga não terei muito para relatar, então, aqui fica meu adeus.

(Cauê Lopes)